A crise entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e a oposição ganhou mais um capítulo nesta sexta-feira (17). O ministro Alexandre de Moraes determinou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) preste depoimento à Polícia Federal no próximo dia 28 de julho, no inquérito que apura a suposta prática de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A investigação foi aberta após uma publicação feita por Flávio Bolsonaro nas redes sociais, em que o parlamentar associou Lula ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e atribuiu ao chefe do Executivo acusações relacionadas ao tráfico internacional de drogas e à lavagem de dinheiro. O conteúdo motivou a instauração do inquérito, que tramita sob relatoria de Alexandre de Moraes.
A defesa do senador havia solicitado o adiamento do depoimento, alegando compromissos relacionados à agenda de pré-campanha eleitoral. O pedido, no entanto, foi rejeitado por Moraes, que manteve a oitiva para o dia 28 de julho, às 14h.
No campo político, o novo inquérito tem potencial para reforçar a polarização entre governistas e oposicionistas. A oposição deve utilizar a decisão como argumento para intensificar as críticas ao Supremo, enquanto aliados do Palácio do Planalto tendem a sustentar que autoridades públicas precisam responder judicialmente por declarações que possam configurar crimes contra a honra.
Foto: Saulo Cruz/Agência Senado e Rosinei Coutinho/STF
