Política

Reajuste do Bolsa Família entra no centro da disputa eleitoral

O reajuste de 15% no Bolsa Família anunciado pelo governo Lula passou a ocupar espaço central na campanha presidencial. O piso do benefício sobe de R$ 600 para R$ 691, enquanto o valor médio deve passar de cerca de R$ 675 para R$ 777. Os novos valores começam a ser pagos em 19 de outubro, […]

O reajuste de 15% no Bolsa Família anunciado pelo governo Lula passou a ocupar espaço central na campanha presidencial. O piso do benefício sobe de R$ 600 para R$ 691, enquanto o valor médio deve passar de cerca de R$ 675 para R$ 777. Os novos valores começam a ser pagos em 19 de outubro, seis dias antes de um eventual segundo turno.

Nos bastidores do Planalto, segundo análises publicadas nesta sexta-feira (18), a medida também é vista como uma forma de recolocar a pauta econômica e social no debate depois de dias de repercussão da crise no STF. O anúncio ocorre a 17 dias do primeiro turno e em um momento de disputa apertada nas pesquisas. Analistas ouvidos pela imprensa avaliam que o efeito eleitoral imediato é incerto, especialmente porque o pagamento reajustado ocorrerá apenas em outubro.

O governo afirma que o aumento corresponde à recomposição da inflação acumulada desde 2023 e sustenta que não há impedimento eleitoral porque não haverá ampliação do público atendido. A AGU também defende que a correção está prevista na legislação do programa. A oposição contesta o momento escolhido para o anúncio, e ações foram apresentadas à Justiça Eleitoral questionando a medida.

A discussão também chegou às contas públicas. O impacto estimado pelo governo é de R$ 5,8 bilhões ainda em 2026 e aproximadamente R$ 22 bilhões em 2027. O Ministério do Planejamento afirma que a despesa será acomodada dentro do Orçamento, sem ampliar o limite total de gastos. Economistas ouvidos pelo Estadão, porém, avaliam que a decisão aumenta a incerteza fiscal e pode dificultar o ajuste das contas no próximo ano.

O momento do anúncio também chamou atenção porque, 17 dias antes, o reajuste não estava previsto na proposta orçamentária de 2027. Para o próximo ano, a previsão de gastos com o Bolsa Família deve passar de R$ 157,1 bilhões para cerca de R$ 179,1 bilhões após a incorporação do aumento.

Foto: Ricardo Stuckert.

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