Internacional

Nado de imigrantes marroquinos a Ceuta cria novo epicentro da crise migratória

A cidade espanhola de Ceuta, encravada no território marroquino, voltou a ser palco de uma das maiores crises migratórias da Europa. Milhares de pessoas tentaram alcançar o enclave espanhol atravessando o mar a nado, em uma corrida desesperada para entrar em território da União Europeia. A escalada obrigou Espanha e Marrocos a reforçarem a segurança […]

A cidade espanhola de Ceuta, encravada no território marroquino, voltou a ser palco de uma das maiores crises migratórias da Europa. Milhares de pessoas tentaram alcançar o enclave espanhol atravessando o mar a nado, em uma corrida desesperada para entrar em território da União Europeia. A escalada obrigou Espanha e Marrocos a reforçarem a segurança na fronteira e mobilizou forças militares e equipes de resgate.

A maioria dos migrantes é formada por marroquinos, mas também há cidadãos de países da África Subsaariana. Muitos enfrentaram o Mediterrâneo sem equipamentos de segurança, colocando a própria vida em risco na esperança de conseguir asilo ou melhores condições de vida.

Segundo as autoridades espanholas, os centros de acolhimento já operavam acima da capacidade antes da nova onda migratória. Com a chegada em massa, centenas de pessoas passaram a dormir em áreas públicas, enquanto equipes de emergência intensificaram os resgates no mar.

Mais de 49 mil migrantes entraram em Ceuta nas últimas 24 horas, afirmou nesta sexta-feira (31) o Ministério do Interior da Espanha. A maioria é formada por jovens marroquinos, mas também há famílias e crianças. Pelo menos 24 pessoas morreram durante a travessia, segundo a agência de notícias espanhola EFE. Os corpos foram recuperados nas águas pelas forças de segurança espanhola.

A travessia ganhou força após uma decisão da Justiça espanhola que restringiu as devoluções imediatas de migrantes interceptados no mar, embora o governo espanhol negue que essa seja a principal causa da explosão no número de entradas. Especialistas também apontam fatores como desemprego, pobreza e a atuação de redes de tráfico de pessoas.

A tensão aumentou quando confrontos foram registrados do lado marroquino da fronteira. Veículos foram incendiados, houve tumultos durante as tentativas de passagem e equipes de resgate confirmaram mortes de migrantes por afogamento durante a travessia.

Ceuta é um território espanhol localizado na costa norte da África e representa uma das poucas fronteiras terrestres entre a União Europeia e o continente africano. Por isso, tornou-se uma das principais rotas de imigração irregular para quem busca chegar à Europa, repetindo uma crise que já havia ocorrido em 2021 e que agora ressurge em proporções ainda maiores.

Foto: Antonio Sempere / AP

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