A corrida pela Presidência da República começa a ganhar contornos mais claros na estratégia dos principais candidatos. Enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aumenta as críticas ao atual modelo de emendas parlamentares, Flávio Bolsonaro (PL) direciona sua ofensiva ao Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente ao ministro Alexandre de Moraes.
No programa de governo apresentado por Lula, o sistema de emendas é tratado como uma distorção na elaboração e execução do Orçamento. O documento critica principalmente o crescimento das emendas impositivas e os mecanismos que, na avaliação do grupo governista, reduziram a capacidade do Executivo de decidir sobre a aplicação dos recursos públicos. O assunto também apareceu no discurso de Lula durante a convenção que oficializou sua candidatura à reeleição. O presidente deixou claro que pretende discutir a divisão dos recursos com o Legislativo caso conquiste mais um mandato.
Apesar do tom mais duro, integrantes da campanha procuram afastar a interpretação de que Lula esteja propondo um confronto direto com deputados e senadores. A estratégia defendida é abrir uma discussão sobre as atribuições de Executivo e Legislativo na definição do Orçamento.
Do outro lado da disputa, Flávio Bolsonaro tem colocado o STF no centro de sua campanha. O senador intensificou as críticas ao tribunal e principalmente a Alexandre de Moraes. No último domingo (9), Flávio publicou um vídeo em que aparece escrevendo uma carta ao pai, Jair Bolsonaro, depois de Moraes rejeitar um pedido para que o senador visitasse o ex-presidente no Dia dos Pais.
A estratégia de Flávio também passa pelas eleições para o Senado. O objetivo é fortalecer candidaturas alinhadas ao bolsonarismo nos estados e ampliar uma bancada que possa exercer maior pressão sobre ministros do Supremo.
Foto: Arte g1
