O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliou os gastos com publicidade institucional no primeiro semestre de 2026 e atingiu o maior patamar do atual mandato justamente em um ano eleitoral. Levantamento com dados oficiais da Secretaria de Comunicação Social (Secom) aponta que a Presidência empenhou cerca de R$ 520 milhões em campanhas de divulgação antes do início das restrições impostas pela legislação eleitoral.
O valor supera com folga o registrado no mesmo período de 2022, quando o então presidente Jair Bolsonaro havia empenhado R$ 213,5 milhões em publicidade institucional. Pela legislação, a propaganda institucional dos órgãos públicos fica suspensa durante o período eleitoral, salvo exceções previstas em lei, como campanhas de utilidade pública.
Segundo o levantamento, o aumento faz parte da estratégia do Palácio do Planalto de intensificar a divulgação de programas e ações do governo antes do início do chamado período de defeso eleitoral. A comparação considera apenas os gastos da Presidência da República, sem incluir ministérios, empresas estatais e demais órgãos da administração federal.
De acordo com a Secom “o volume mais expressivo de investimentos em publicidade tem como único objetivo garantir que a população tenha amplo conhecimento das políticas públicas e serviços do Poder Executivo Federal colocados à sua disposição”. Ressaltou ainda que “é comum que valores efetivamente pagos em um determinado exercício tenham sua origem em anos anteriores, podendo abranger gastos dos últimos cinco anos”.
O crescimento da despesa também passou a ser explorado pela oposição. Parlamentares e partidos questionam o volume de recursos destinados à publicidade às vésperas das eleições e argumentam que o governo utiliza a comunicação institucional para fortalecer sua imagem. Já o Planalto sustenta que as campanhas têm caráter informativo e são voltadas à divulgação de serviços públicos e políticas governamentais.
Foto: Wilton Junior / Estadão
