O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial para tentar reorganizar uma dívida estimada em R$ 17,3 bilhões. A solicitação foi protocolada na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo e envolve dez empresas do grupo.
A medida chega em meio a uma forte crise financeira da varejista, que registrou prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre deste ano. O resultado foi 18 vezes maior que a perda registrada no mesmo período de 2025. Parte significativa do prejuízo, no entanto, está relacionada a efeitos contábeis não recorrentes.
A crise também provocou uma redução expressiva da operação. A empresa fechou 298 lojas pelo país, o equivalente a quase 30% dos pontos de venda que mantinha no fim do ano passado, além de promover demissões.
Segundo a companhia, o pedido de recuperação judicial é necessário para avançar na reestruturação financeira e renegociar os compromissos com os credores. A Casas Bahia pretende manter normalmente suas atividades durante o processo, incluindo lojas físicas, comércio eletrônico e atendimento aos consumidores.
A maior parte da dívida, cerca de R$ 16,4 bilhões, corresponde a credores sem garantia real. O processo também reúne aproximadamente R$ 754 milhões em dívidas trabalhistas e R$ 154 milhões devidos a pequenas empresas. Entre os fatores apontados para o agravamento da situação estão os juros elevados, restrição de crédito, aumento dos custos financeiros, inadimplência e maior concorrência no comércio eletrônico.
Esta não é a primeira tentativa recente de reorganização das contas. Em 2024, a Casas Bahia passou por uma recuperação extrajudicial envolvendo aproximadamente R$ 4,1 bilhões em dívidas.
Foto: Sarah Brito/g1
