Um grupo formado por dez ex-presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF) e três ministros aposentados enviou uma carta ao atual presidente da Corte, Edson Fachin, cobrando uma resposta institucional diante dos episódios que vêm aumentando a tensão dentro do tribunal. Os signatários classificam o momento como a “mais aguda crise” da história do Supremo.
No documento, os ex-ministros pedem que Fachin convoque, com urgência, uma sessão pública do plenário para determinar uma “imediata e rigorosa apuração”, respeitando o devido processo legal, dos fatos divulgados nas últimas semanas. Segundo eles, os episódios estão comprometendo o prestígio e a autoridade do STF, além da confiança da população e da estabilidade das instituições democráticas.
A carta é assinada por Néri da Silveira, Francisco Rezek, Sydney Sanches, Celso de Mello, Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Nelson Jobim, Ellen Gracie, Cezar Peluso, Ayres Britto, Joaquim Barbosa, Eros Grau e Rosa Weber. Entre os 13 signatários, dez chegaram à presidência do Supremo.
Apesar do tom duro, o documento não menciona Alexandre de Moraes, André Mendonça, Daniel Vorcaro ou o Banco Master. A manifestação, porém, ocorre depois da divulgação de informações extraídas do celular de Vorcaro e em meio ao embate provocado pelos desdobramentos das investigações envolvendo integrantes da Corte.
Os ex-ministros também fizeram questão de demonstrar apoio a Fachin. Eles afirmam ter confiança na “seriedade, discernimento e firmeza” do presidente do STF para conduzir o tribunal durante a crise e defendem que a resposta seja dada pelo plenário, em sessão pública.
A pressão sobre o Supremo cresceu nos últimos dias e ultrapassou os limites do próprio Judiciário. No domingo (7), manifestações realizadas em diferentes capitais tiveram Alexandre de Moraes como um dos principais alvos. Agora, a cobrança vinda de antigos integrantes da própria Corte aumenta a pressão por uma resposta institucional do STF.
Imagem: Fellipe Sampaio /SCO/STF
