A inteligência artificial entrou de vez na campanha presidencial de 2026. Perfis de apoio a Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) vêm utilizando vídeos manipulados por IA que acumulam milhões de interações e aumentam a pressão sobre o Tribunal Superior Eleitoral para definir os limites desse tipo de conteúdo.
O problema vai além do uso da tecnologia. Parte das publicações apresenta candidatos e outras figuras públicas em situações que nunca aconteceram, com imagens e falas produzidas artificialmente. Quando não existe identificação clara da manipulação, cresce o risco de o eleitor interpretar a cena como verdadeira.
A disputa já chegou ao TSE. Nesta quinta-feira (20), o ministro André Mendonça determinou a retirada de um vídeo produzido com IA que associava Flávio Bolsonaro ao empresário Daniel Vorcaro. A decisão considerou que o material utilizava imagens sintéticas e fotorrealistas sem informar de forma suficientemente clara o emprego da inteligência artificial.
Do outro lado, a campanha de Lula também tem recorrido à Justiça contra conteúdos produzidos ou divulgados por adversários. Uma representação apresentada pela federação que apoia o petista pediu a retirada de dezenas de publicações e questionou o uso de IA em peças contra Lula.
A dimensão do problema aparece também na quantidade de disputas judiciais. Até 15 de agosto, 202 representações relacionadas à eleição já haviam sido protocoladas no TSE, número 140% superior ao registrado no mesmo período de 2022. Mais de 80% envolvem as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro. O avanço da inteligência artificial e da desinformação aparece entre os fatores que ajudam a explicar esse crescimento.
O desafio para a Justiça Eleitoral é separar sátira, montagem claramente identificada e conteúdo político legítimo de materiais capazes de enganar o eleitor. A velocidade das redes torna essa tarefa ainda mais difícil: muitas vezes, quando uma publicação chega ao Judiciário, já alcançou milhares ou milhões de pessoas.
Foto: Pedro Kirilos/Wilton Junior/Estadão
