Criminosos estão usando o nome do programa Desenrola Brasil para aplicar golpes em pessoas que buscam renegociar dívidas. A fraude ocorre por meio de anúncios patrocinados em redes sociais que imitam a identidade visual do governo federal, de bancos públicos e até de veículos de comunicação para transmitir credibilidade e convencer as vítimas a fornecer dados pessoais ou realizar pagamentos via Pix.
Levantamento do Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais (NetLab), da UFRJ, identificou que, em apenas dois meses e meio, foram veiculados 544 anúncios fraudulentos relacionados ao Desenrola Brasil e a um suposto programa chamado “Libera Brasil”, que sequer existe. Segundo a pesquisa, grande parte das peças utilizava logotipos oficiais e cerca de 40% continham conteúdo produzido com inteligência artificial para tornar a fraude mais convincente.
Marie Santini, do NetLab, explica que os anúncios fraudulentos foram registrados no Facebook, Instagram e WhatsApp – todos da Meta. Eles vêm aparecendo nessas redes desde o anúncio da primeira versão do programa, em 2023, e ficam ativos por vários dias. Mas não são exclusividade da Meta. Eles também aparecem em redes de outras big techs.
“A gente está falando das empresas mais poderosas e com maior poder econômico do mundo, que teriam todas as condições de desenvolver tecnologia de cibersegurança e de controle. Mas o que a gente percebe é que elas não têm nenhum interesse em fazer isso, porque elas não têm incentivos nem sanções suficientemente fortes para que elas criem esses mecanismos. Ou seja, elas continuam ganhando dinheiro com golpes e fraudes, sem ter que ser punidas ou sancionadas por isso”, afirma Marie Santini, diretora do NetLab UFRJ.
A Meta disse que não permite atividades fraudulentas e que remove anúncios enganosos assim que são identificados, o que tem feito em relação ao Desenrola Brasil. A empresa recomenda que as pessoas nunca compartilhem informações de login e que denunciem, pelas plataformas, qualquer atividade suspeita. A Meta também afirma que coopera e responde a requisições de autoridades nos termos da legislação.
Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
