Economia

Governo Lula acusa família Bolsonaro de colaborar com tarifação dos EUA e promete reciprocidade

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu, nesta quinta-feira (16), à decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Em nota oficial, o Palácio do Planalto repudiou a medida, classificou a decisão como unilateral e anunciou que adotará providências para defender os interesses do país. “Não […]

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu, nesta quinta-feira (16), à decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Em nota oficial, o Palácio do Planalto repudiou a medida, classificou a decisão como unilateral e anunciou que adotará providências para defender os interesses do país.

“Não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso País. Segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil”, afirma a nota da Secom.

Segundo o governo brasileiro, a nova tarifa não possui justificativa com base nas normas do comércio internacional. A nota informa que o Brasil pretende recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) e iniciar os procedimentos para aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica.

“O Brasil não reconhece a legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais de comércio. Apesar disso, nunca deixamos a mesa de negociação para defender os interesses nacionais”, prossegue o comunicado.

O Planalto também afirmou que a decisão do governo norte-americano ocorreu após uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos e destacou que continuará buscando uma solução por meio do diálogo diplomático. Apesar da reação firme, o governo sinalizou que mantém abertas as negociações entre os dois países.

Na nota, o governo ainda responsabiliza a família do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo agravamento da crise comercial. Segundo o texto oficial, integrantes da família teriam colaborado com autoridades norte-americanas para pressionar o Brasil, afirmação que eleva o tom político da disputa entre Brasília e Washington.

“É triste constatar que o lamentável desfecho das investigações baseadas na Seção 301 faz parte do enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro. São falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso País, movidos por objetivos eleitoreiros”.

O anúncio das tarifas representa mais um capítulo do aumento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. A expectativa agora é pela reação do setor produtivo e pelos próximos movimentos diplomáticos dos dois governos, enquanto o mercado acompanha os possíveis impactos sobre as exportações brasileiras.

Leia a íntegra da nota do governo brasileiro

NOTA À IMPRENSA SOBRE A IMPOSIÇÃO DE TARIFAS UNILATERAIS CONTRA O BRASIL PELOS ESTADOS UNIDOS

O dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável.

O governo brasileiro repudia a decisão anunciada hoje pelo governo dos EUA relativa à imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

Não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país. Segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil.

Em 2025, 76% das importações originárias dos EUA entraram no país sem pagar imposto de importação, e a alíquota média efetivamente aplicada sobre produtos norte-americanos foi de apenas 3,1%.

O Brasil não reconhece a legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais de comércio. Apesar disso, nunca deixamos a mesa de negociação para defender os interesses nacionais.

Ao longo do último ano, o governo brasileiro atuou ininterruptamente junto ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) pelo encerramento das investigações baseadas na Seção 301, apresentando evidências que refutam cada uma das alegações sobre supostas práticas desleais de comércio adotadas pelo Brasil.

Foto: Ricardo Stuckert

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