As contas da Bahia apresentam uma combinação de aumento dos investimentos com piora em indicadores fiscais durante o governo Jerônimo Rodrigues. Levantamento da Folha de S.Paulo, baseado em dados oficiais e projeções do próprio Estado, mostra redução da folga financeira em comparação com o período anterior.
Jerônimo recebeu o Estado após um superávit orçamentário acumulado de R$ 8,48 bilhões nos quatro anos anteriores. Em 2025, a Bahia ainda registrou superávit de R$ 480 milhões, mas a projeção oficial para 2026 aponta déficit de R$ 5,72 bilhões. Considerando o quadriênio, o levantamento estima que o saldo poderá chegar a um déficit acumulado de R$ 7,3 bilhões.
O resultado primário também recuou. Depois de um saldo positivo acumulado de R$ 13,5 bilhões na gestão anterior, a atual administração pode encerrar o mandato com déficit primário de R$ 3,32 bilhões. O caixa livre após o desconto dos restos a pagar, que era de R$ 5,3 bilhões no fim de 2022, terminou 2025 em R$ 900 milhões.
Em sentido contrário, os investimentos cresceram. Considerando a estimativa para este ano, a gestão Jerônimo deve acumular R$ 29,1 bilhões em investimentos, contra R$ 23,4 bilhões no período anterior. O maior volume ocorreu em 2023, quando foram aplicados R$ 9,2 bilhões. Para 2026, a previsão é de R$ 3,9 bilhões.
Apesar da perda de folga fiscal, a dívida e as despesas com pessoal permanecem dentro dos limites legais. Em 2025, a dívida consolidada líquida representava 35,67% da Receita Corrente Líquida, enquanto os gastos com pessoal estavam em 40,36%. A Secretaria da Fazenda sustenta que o endividamento permanece baixo e afirma que parte dos recursos acumulados em exercícios anteriores foi utilizada para ampliar investimentos em infraestrutura, saúde, educação, segurança, mobilidade e saneamento.
Foto: Wuiga Rubini/GOVBA
