A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (10) a Operação Make Up para investigar suspeitas de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares. Entre os alvos de busca e apreensão estão o deputado federal Mario Frias (PL-SP), ex-secretário especial de Cultura do governo Jair Bolsonaro, e Karina Gama, produtora do filme “Dark Horse”, obra sobre a trajetória do ex-presidente.
A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e conta com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, são cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. A investigação apura a possível atuação de uma organização formada por agentes públicos e privados no desvio de verbas públicas.
Mario Frias tem ligação direta com “Dark Horse”, no qual atua na produção e assina o roteiro. Em 2024, o parlamentar destinou R$ 2 milhões em emendas ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Gama, que também é dona da Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme. Os recursos, oficialmente, seriam destinados a projetos sociais e não à produção cinematográfica.
A PF investiga justamente o caminho percorrido por recursos públicos e possíveis subcontratações irregulares. Entre as suspeitas apuradas estão crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraudes em licitações. Segundo as investigações, empresas envolvidas no esquema teriam movimentado centenas de milhões de reais.
O caso ganhou outra dimensão porque a produtora de “Dark Horse” já estava no radar das autoridades. Em junho, uma operação da Polícia Civil de São Paulo investigou suspeitas de irregularidades envolvendo o Instituto Conhecer Brasil em um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para fornecimento de pontos de wi-fi. Posteriormente, Dino autorizou a PF a acessar o material apreendido naquela investigação.
O financiamento do filme também é objeto de uma investigação separada. Mais de 90% do orçamento da produção teria sido bancado com recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Essa frente, que envolve contatos de Flávio Bolsonaro com Vorcaro, não é o objeto central da Operação Make Up deflagrada nesta quinta.
Em manifestação anterior, Mario Frias negou que as emendas destinadas ao instituto tenham sido usadas para financiar o filme e classificou as suspeitas de triangulação de recursos como especulativas. A operação desta quinta busca reunir documentos e outras provas para esclarecer a destinação do dinheiro público.
Foto: Mario Frias via X
